quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Anexo 22 - dos Carnavais

Alguém viu o entardecer de hoje?
Lindo, em tons de vermelho e laranja...
Radiante!

Me inspirou, é o clima de Carnaval...
Novas vidas a serem vividas, novos
personagens!

E por falar em carnaval, estava lendo hoje o livro
Carnaval do meu conterrâneo Manuel Bandeira!
Um primor, tudo o que eu precisava...






A poesia de hoje é Arlequinada (1918), pois nesse
carnaval, eu sou a Colombina!


Que idade tens, Colombina?
Será a idade que pareces?...
Tivesses a que tivesses!
Tu para mim és menina.

Que exíguo o teu talhe! E penso:
Cambraia pouca precisa:
Pode ser toda num lenço
Cortada a tua camisa...

Teus seios têm treze anos.
Dão os dois uma mancheia...
E essa inocência incendeia,
Faz cinza de desenganos...

O teu pequenino queixo
- Símbolo do teu capricho -
É dele que mais me queixo,
Que por ele assim me espicho!

Tua cabeleira rara
Também ela é de criança:
Dará uma escassa trança,
Onde eu mal me estrangulara!

E que direi do franzino,
Do breve pé da menina?...
Seria o mais pequenino
No jogo da pompolina...

Infantil é teu sorriso.
A cabeça, essa é de vento:
Não sabe o que é pensamento
E jamais terá juízo...

Crês tu que os recém-nascidos
São achados entre as couves?...
Mas vejo que os teus ouvidos
Ardem... Finges que não ouves...

Perdão, perdão, Colombina!
Perdão, que me deu na telha
Cantar em medida velha
Teus encantos de menina...



Agora, se queres me responder, peço que o faças
com as duas primeiras estrofes de Pierrot Místico
(também de Bandeira, mesmo livro).


Quem és tu, nesse Carnaval?


“– Tu és a minha esperança de felicidade e cada dia que passa
eu te quero mais, com perdida volúpia, com desesperação e
angústia...”
(Epígrafe de Carnaval, 1919)

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